A Mesa Plural é uma nova iniciativa em formação para somar vozes e esforços em favor do pluralismo e da convivência democrática no Brasil.
ManifestoEm Defesa do Dissenso
Sociedades florescem na diferença.
Em tempos de polarização tóxica e bolhas sociais, nunca é demais lembrar: é a partir da livre criação, expressão e contraposição de ideias que se movem as rodas da inovação social, cultural, científica, econômica e política, impulsionando a vida coletiva.
Avançamos quando uma voz pode levantar-se para propor que a Terra talvez não seja o centro do universo, ou que a física newtoniana encontre limites em nível atômico. Quando obras de arte podem vir à luz para expressar crítica social ou renovar padrões estéticos enraizados. Quando ideias econômicas e políticas podem ser exploradas sem restrições, expondo a construção pública ao aperfeiçoamento por pontos de vista e repertórios diversos. Quando valores, crenças e preferências podem coexistir e nutrir-se mutuamente, seja desafiando-se ou complementando-se, na grande arena da convivência cidadã.
Não é segredo para ninguém o quanto nos afastamos, no Brasil e no mundo, deste ideal nos últimos anos. No debate político, certamente, mas não só nele: de forma crescente, vivenciamos a experiência da intolerância, do risco e receio de expressar ideias, da satanização da divergência no cotidiano escolar e universitário, de espaços culturais, religiosos e profissionais, dos meios de comunicação, de grupos de amigos e almoços de família.
Não é possível exagerar o quanto perdemos com isso: nas possibilidades de coexistência pacífica e produção de avanços coletivos, sucumbindo à espiral da deslegitimação mútua e conflito destrutivo, mas também de realização individual. Porque não apenas a sociedade, mas cada um/a de nós se nutre da seiva da exposição a saberes, fés, culturas, ideias e conexões variadas nas nossas trajetórias de vida. Uma sociedade atrofiada em promover e celebrar esta pluralidade - sem eclipsar individualidades e a multiplicidade de escolhas, mas enriquecendo-as - é uma sociedade esvaziada do potencial de inovar e vencer desafios, mas igualmente de proporcionar o desenvolvimento pleno a seus integrantes.
As razões desta erosão serão muitas, como bem sabemos também: a emergência de novas ideias e perspectivas genuinamente antagônicas no debate, a consolidação de canais de comunicação formatados para o conflito e a fragmentação, a expansão de medos e desconfianças diversos na sociedade. Seja como for, estamos desafiados a fazer melhor, reavivando sentidos de convívio virtuoso e refazendo as condições para o reconhecimento das diferenças como valor.
Não nos faltam guias para isso. Seria possível evocar os fundamentos da prática democrática, de apreço e respeito pela multiplicidade de opiniões e projetos na esfera pública, tornando possível sua expressão plena no dia-a-dia e a própria existência de instituições e espaços capazes de processá-la de forma construtiva nas várias dimensões da vida coletiva. Ou na mesma trilha, recordar a imagem bíblica de Paulo aos Coríntios, no Novo Testamento: “O corpo não é feito de um só membro, mas de muitos… Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?” O postulado do Alcorão de povos e tribos terem sido criados diversos “para que se conheçam”. A convocação cultural do modernismo brasileiro: “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.” A máxima africana do Ubuntu: “Eu sou porque nós somos.” E assim por diante.
A lista poderia seguir, porque a experiência e sabedoria humanas são também, por definição, plurais. Além dos muros das nossas aldeias, físicas ou virtuais, o mundo é melhor por não limitar-se à nossa imagem e semelhança. Em tempos de polaridades inconciliáveis e negações recíprocas, nunca será demais tampouco a lembrança.
Seja para desobstruir as vias da democracia, refazer possibilidades de avanços compartilhados ou recordar o valor da convivência e de trocas inspiradoras no dia-a-dia, cabe-nos a missão de reivindicar e atualizar esses legados para nosso tempo.
Não é pouco, por certo, e não temos como ser ingênuos sobre a tarefa. Mas a história nos lembra também que a disposição para o diálogo e a soma de repertórios e vozes a partir dele fazem a raiz das melhores novas na cena pública.
Grupo FundadorA Mesa é uma construção de pessoas dedicadas à ação cidadã no país e comprometidas com seus valores de convivência e coexistência plurais, para além da multiplicidade das respectivas atuações e identidades sociais e políticas.
Alexandre Schneider
Alê Youssef
Amanda de Albuquerque
Amarilis Costa
Ana Carolina Evangelista
André Amaral
Bernardo Sorj
Bruna Barros
Bruno Carvalho
Caio Mário da Silva Pereira Neto
Camila Asano
Camila Cheibub Figueiredo
Carlota Mingolla
Carolina Ricardo
Cecília Olliveira
Christian Lohbauer
Cristina Castellan
Daniel de Bonis
Denis Mizne
Eduardo Caetano
Eduardo Pannunzio
Fernanda Duarte
Fernanda Meirelles Ferreira
Fernando Haddad Moura
Flávia Pellegrino
Gabriel Marmentini
Giovanni Harvey
Henrique Silveira
Jamil Assis
João Tavares
Joice Toyota
José Cesar Martins
José Marcelo Zacchi
Luciana Elmais
Luciana Guimarães
Luciana Temer
Mafoane Odara
Manoela Miklos
Manuel Thedim
Marcelo Behar
Marcelo Issa
Marco Camargo
Maria Hermínia Tavares de Almeida
Mariana Almeida
Marianna Araújo
Mustafa Goktepe
Olivia Ferreira
Oscar Vilhena Vieira
Pablo Ortellado
Pamella Canato
Paulo Uebel
Priscila Cruz
Pedro Strozenberg
Rafael Kruchin
Rafael Poço
Raull Santiago
Renato Sérgio de Lima
Ricardo Abramovay
Ricardo Borges Martins
Ricardo Henriques
Roberto Andrés
Roberto Dias
Rodrigo Cobra
Samira Bueno
Selma Moreira
Sergio Fausto
Thaís Rodrigues
Uvanderson Silva
Vinícius Pacífico
Vitor Mihessen
Walter de Simoni
AcompanhePróximos Passos
Concebida a partir do 2º semestre de 2025, com o desenvolvimento da proposta e sentidos de atuação expostos no manifesto, a Mesa caminha agora para a criação e início da atuação como espaço amplo a serviço da promoção dos seus valores nas várias instâncias da vida coletiva.
Ao longo de 2026, aprofundaremos o mapeamento de práticas nesta direção no Brasil e no mundo, abrigaremos a promoção de diálogos para o cotejo positivo de ideias em torno de desafios da agenda do país e seguiremos a busca de reconexão de vozes identificadas com a proposta na sociedade.
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